Avaliação médica: do início ao fim

Sintomas, doenças, mal-estar e até mesmo check-up são algumas razões para procura de ajuda médica. Etapas fundamentais como a busca de um profissional, agendamento de horário, comparecimento ao consultório, ida ao laboratório para a realização de exames complementares, se solicitados, são geralmente cumpridas, e, para algumas pessoas, está concluído o ciclo em que o médico se faz necessário. Pode parecer bobagem, mas muitos pacientes não retornam ao consultório para concluir do motivo da consulta inicial, que pode incluir a interpretação adequada dos exames complementares, verificar evolução dos sintomas e oferecer recomendações e tratamentos adequados.

Os exames de laboratório, por exemplo, possuem uma margem de limite mínimo e máximo para o que é considerado normal numa determinada população. Essa faixa de normalidade vem numa legenda ao lado ou abaixo do próprio resultado. A disponibilidade desses valores normais faz com que muitos pacientes leiam sozinhos esses números, interpretem-nos com a ajuda do Google, compartilhem esses resultados nos grupos de discussão nas redes sociais, peçam opinião aos colegas e vizinhos e concluam por conta própria os próximos passos a seguir. A leitura descontextualizada pode colocar muitos pacientes em um estado de pânico desnecessário.

E nem todos os exames podem ser interpretados unitariamente, sem antes cruzar com um conjunto de informações e criar análises profundas. No caso da especialidade de endocrinologia, por exemplo, a leitura dos hormônios e marcadores de metabolismo será feita considerando fatores individuais, influência de outras condições de saúde, interferência de outros hormônios, e também de medicamentos que o paciente esteja utilizando. É um conjunto de itens que fará com que o médico chegue a um possível diagnóstico ou à exclusão de alguma doença, isto é, vários são os pontos que precisam ser considerados, sempre em conjunto.

É comum o conforto do paciente ao ler os exames dentro do estipulado como normal e o quanto isso dificulta o retorno do paciente ao consultório para concluir todas as etapas do seguimento médico. Resultados de exames complementares satisfatórios devem ser registrados em prontuário. Retornar com os exames em mãos permite ao médico verificar possíveis tendências dos resultados, servir como base para futuras comparações ou, no mínimo, para traçar estratégias para determinar a periodicidade de consultas. As etapas de consulta inicial com retorno para avaliação de exames complementares encerram um primeiro ciclo.

Cada médico solicita exames de acordo com uma sequência lógica, e de acordo com uma suspeita clínica ou rastreamento de uma doença. Um ginecologista pode solicitar os mesmos exames que um endocrinologista e nem por isso as interpretações serão iguais. Cada um fará a sua avaliação de acordo com a sua experiência clínica, diretrizes de sua especialidade e sempre individualizando para cada caso.

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